Guia completo de colocação Pronominal

Este é um artigo completo sobre um assunto que gera muitas dúvidas entre meus alunos: colocação pronominal. Aqui você poderá ver quais as regras que devem ser levadas em conta nos casos de próclise, mesóclise e ênclise. Isso é importante numa situação de escrita na qual seja preciso obedecer a norma padrão como é na redação do Enem. Conhecer as regras “não mata” ninguém e ainda poderá impressionar o corretor, desde que não fique pedante o texto. Vamos lá então. Boa leitura.

redação do enem casos de colocação pronominal

guia de colocação pronominal

Os pronomes átonos me, te, se, o, lhe, nos e vos podem sem colocados antes, depois ou dentro verbo. Assim, temos:
I) Próclise: quando o pronome aparece antes do verbo. Ex.: Nada o preocupava.
Diz-se que o pronome o está proclítico ou em próclise.
II) Ênclise: quando o pronome é usado depois do verbo. Ex.: Pediram-me ajuda.
Diz-se que o pronome me está enclítico ou em ênclise.
III) Mesóclise: quando o pronome se encontra dentro do verbo. Ex.: Mandar-te-ei os documentos.
Diz-se que o pronome te está mesoclítico ou em mesóclise.

Observações
a) Existem situações de próclise obrigatória que estudaremos a seguir. A ênclise e a mesóclise só são empregadas quando não há obrigatoriedade de próclise. Digamos, então, que “quem manda” é a próclise.
b) A mesóclise, diferentemente da próclise e da ênclise, exige que o verbo esteja num determinado tempo, no caso o futuro do indicativo (do presente ou do pretérito).

1) Próclise
● Com advérbios que não peçam pausa. Ex.: Ali se trabalha bastante.
Obs.: Se for usada a vírgula, que o advérbio permite, não caberá mais a próclise. Ex.: Ali, trabalha-se bastante.
● Com pronomes indefinidos, relativos e interrogativos.
Ex.: Ninguém se machucou. (ninguém é pronome indefinido)
Não entendi o recado que me deram. (que é pronome relativo)
Quem nos explicará o caso? (quem é pronome interrogativo)

● Com as conjunções subordinativas.
Ex.: Ele disse que me avisaria. (que é conjunção subordinativa integrante)
Correram quando nos aproximamos. (quando é conjunção subordinativa temporal)
● Com o gerúndio precedido de em. Ex.: Em se colocando as coisas dessa forma, não há dúvidas.
● Com as frases optativas. Ex.: Deus te proteja!
Obs.: Frase optativa é aquela que exprime um desejo do falante. Normalmente, tem ponto de exclamação.
● Com qualquer palavra negativa (geralmente advérbios e pronomes indefinidos, que já vimos que exigem próclise).
Ex.: Não me explicaram o problema.
2) Ênclise
● No início do período. Ex.: Disseram-lhe tudo.
Obs.: Quando se inicia a frase com o verbo, não há palavra atrativa para que se empregue a próclise. Por isso se diz que não se começa frase com pronome átono.
● Com verbo no imperativo afirmativo. Ex.: Pedro, levante-se! Levante-se!

Observações
a) Quando o verbo está no imperativo afirmativo, ou se usa o vocativo (Pedro), ou se inicia a frase com o verbo. No primeiro caso, haverá a vírgula, que vai impedir a próclise; no segundo, o verbo estará iniciando a frase, o que também pedirá ênclise.
b) O imperativo negativo pede próclise, já que apresenta a palavra não. Ex.: Paulo, não se levante!
● Com determinadas orações reduzidas de gerúndio, que pedem pausa.
Ex.: O professor adiou a prova, deixando-nos menos preocupados.

3) Mesóclise
Ocorre quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito.
Ex.: Mandar-lhe-ei a intimação. Escrever-te-ia uma nova carta.

Observações
a) Não se esqueça de que, havendo palavra atrativa, a preferência é da próclise.
Ex.: Nunca lhe mandarei a intimação. (correto)
Nunca mandar-lhe-ei a intimação. (errado)
b) Futuro do subjuntivo exige próclise, por causa da conjunção subordinativa ou do pronome relativo.
Ex.: Quando te pedirem algo, procura atender. Analisarei o projeto que me mandarem.

Próclise facultativa
Há casos em que se pode usar indiferentemente próclise ou ênclise, próclise ou mesóclise. É o que se entende por próclise facultativa.
● Com os substantivos.
Ex.: O garoto se machucou. O garoto machucou-se. O garoto se machucará. O garoto machucar-se-á.
● Com os pronomes pessoais e os pronomes demonstrativos.
Ex.: Ele me agradou. / Ele agradou-me. / Ele me agradará. / Ele agradar-me-á. / Isto me agrada. / Isto agrada-me. / Isto me agradará. / Isto agradar-me-á

● Com as conjunções coordenativas.
Ex.: Falou pouco, mas se cansou. / Falou pouco, mas cansou-se. / Falará pouco, mas se cansará. / Falará pouco, mas cansar-se-á.
● Com o infinitivo pessoal precedido de palavra negativa.
Ex.: Esforcei-me para não o magoar. / Esforcei-me para não magoá-lo.



Observações
a) Como se viu nos três primeiros casos de próclise facultativa, se o verbo estiver no presente ou no passado, pode-se usar a próclise ou a ênclise; no futuro do indicativo, a próclise ou a mesóclise.
b) O último caso é perigosíssimo, pois existe a palavra não, que normalmente exige próclise. Mas isso não ocorre quando ela antecede o infinitivo pessoal.

COLOCAÇÃO NAS LOCUÇÕES VERBAIS
Como vimos ao estudar os verbos, a locução verbal é a união de um verbo auxiliar e um verbo principal. O principal, que é sempre o último, encontra-se numa forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio. Vejamos, então.
1) Com o infinitivo ou o gerúndio. Veja, abaixo, as frases consideradas perfeitas.
Quero mostrar-lhe o resultado.
Estou mostrando-lhe o resultado.
Quero-lhe mostrar o resultado.
Estou-lhe mostrando o resultado.

Observações
a) Com palavra atrativa, não será possível a ênclise ao verbo auxiliar.
Ex.: Não quero mostrar-lhe o resultado. (certo)
Não lhe quero mostrar o resultado. (certo)
Não estou mostrando-lhe o resultado. (certo)
Não lhe estou mostrando o resultado. (certo)
Não quero-lhe mostrar o resultado. (errado)
Não estou-lhe mostrando o resultado. (errado)

b) Se o pronome estiver solto entre os dois verbos (sem hífen), teremos uma situação polêmica. Para alguns gramáticos, é correto, para outros não. Convém fazer a questão por eliminação.
Ex.: Quero lhe mandar o resultado. (certo ou errado)
Estou lhe mandando o resultado. (certo ou errado)
Pode parecer estranho o que estou dizendo, mas é a realidade da língua portuguesa.
Numa redação, peço-lhe que não use o pronome solto entre os dois verbos.
2) Com o particípio
Quando o verbo principal é o particípio, há uma limitação maior. Só duas colocações são rigorosamente corretas, uma delas com palavra atrativa.
Ex.: Tenho-lhe mostrado o resultado.
Nunca lhe tenho mostrado o resultado.

Observações finais
a) O particípio, diferentemente do infinitivo e do gerúndio, não admite ênclise.
Ex.: Tenho mostrado-lhe o resultado. (errado)
Nunca tenho mostrado-lhe o resultado. (errado)
b) Com o pronome solto entre os dois verbos, como vimos anteriormente, a situação é polêmica. Resolva por eliminação.
Ex.: Tenho lhe mostrado o resultado. (certo ou errado).
c) Às vezes o pronome átono fica entre duas palavras atrativas. É uma situação especial de próclise conhecida como apossínclise.
Ex.: Talvez me não peçam nada.
É claro que fica mais agradável dizer “Talvez não me peçam nada. Contudo, ambas as construções são corretas.
d) Veja, a seguir, como se deve agir quando há uma frase com pronome solto entre os dois verbos.
Assinale o erro de colocação pronominal.
a) Alguém me falou sobre o jogo.
b) Vou lhe contar algo.
c) Mostrá-lo-ei.
d) Me deixaram feliz.

e) A palavra atrativa pode estar antes de uma expressão entre vírgulas.

Ex.: Ele garantiu que, se não chovesse, se apresentaria logo.
A conjunção que atrai o pronome átono me.